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No Cerrado Mineiro, região que abrange 55 municípios localizados no Alto Paranaíba, Triângulo Mineiro e Noroeste de Minas, encontra-se uma das experiências mais bem sucedidas de produção de café do Brasil.

A região atualmente conta com cerca de 4.500 produtores de café e possui 210 mil hectares produzidos. Isto corresponde a 12,7% da produção brasileira. A temperatura média da região é de 18°C a 23°C, uma altitude variando de 800 a 1.300 metros. Características acompanhadas de um índice pluviométrico médio de 1600 milímetros anuais, com baixa umidade relativa do ar no período da colheita.

A topografia plana do relevo do cerro favorece a mecanização das lavouras. Aspecto que gera uma maior produtividade e um melhor custo-benefício. Além disso, o índice pluviométrico da região, no período logo após a colheita, gera o estresse hídrico das plantas. Ação que acarreta numa florada mais intensa e homogênea, Isto implica em uma maturação mais uniforme.

A soma de todos esses aspectos criaram condições extremamente favoráveis à prosperidade do cultivo do café na região.

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O Desenvolvimento da Região do Cerrado Mineiro

A cultura do café na região foi introduzida somente em 1969. Depois de uma forte geada, a produção no norte do Paraná e no oeste de São Paulo foram afetadas. Com seus solos ácidos e pobres de nutrientes, a região precisou ser “adaptada” para se adequar ao cultivo do produto. Foram realizadas correções no solo por meio de aração e gradagem da terra, aplicação de calcário, adubação orgânica e outros procedimentos físico-químicos. Isso demonstra a forte ligação que a região tem com as inovações tecnológicas desde o início da produção de café no local.

Outras inovações fizeram parte da constituição do Cerrado Mineiro como referência de produção de café no país, dentre as quais podemos destacar as biológicas. Em artigo publicado em 2011 na Revista Política & Sociedade, com o título “Território, certificação de procedência e a busca da singularidade: o caso do Café do Cerrado”, os professores Antônio César Ortega e Clésio Marcelino de Jesus afirmam que nessa região foram introduzidas novas variedades de plantas. A intenção foi de que elas pudessem ser melhores exploradas pelas máquinas, como, por exemplo, plantas com maior facilidade de desprendimento dos grãos.

No início da década de 1990, o setor cafeeiro no Brasil passou por um processo de desregulamentação com o fim do Instituto Brasileiro do Café (IBC). Em resposta a isso, em 1992, foi criado na região do Cerrado Mineiro o Conselho de Associações de Cafeicultores e Cooperativas do Cerrado (Caccer), que buscava o reconhecimento/agregação de valor ao Café do Cerrado. Assim, ainda em 1999, o conselho entrou com um processo para o reconhecimento da Indicação Geográfica, obtendo o reconhecimento da Indicação de Procedência em 2005.

A região do Cerrado Mineiro foi a primeira região produtora de café demarcada no Brasil, segundo decreto do Governo de Minas Gerais, desde abril de 1995.

A Região da Cafeicultura no Cerrado Mineiro e as Certificações

No setor cafeeiro, a importância das certificações de café tem ficado cada vez mais evidente. Elas trazem uma série de benefícios, que vão desde a melhoria da gestão até o reconhecimento e valorização da marca pelo consumidor final.

Desde 2005, quando obteve o reconhecimento da Indicação de Procedência, o Caccer emite a Certificação de Procedência Café do Cerrado. Esta é uma das principais certificações do mercado mundial, atestando a qualidade da produção do seus filiados. Estes, por usa vez, devem atender às especificações exigidas por empresas certificadoras.

Em 2014, devido às características do produto somadas ao saber fazer dos produtores, a região obteve a Denominação de Origem. Tornando-se, assim, a primeira região produtora de café a obter esta regulamentação. Essa certificação é mais ampla que a Certificação de Procedência, pois reconhece as qualidades e características distintas do produto. Resultado conquistado pela influência do meio geográfico, incluindo fatores naturais e humanos.

A conquista valorizou ainda mais o produto no mercado externo, conferindo ao café do Cerrado Mineiro maior competitividade nos mercados globais mais exigentes. O selo com a denominação de origem é emitido pela Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

Atualmente, cerca de 102 mil hectares de cafés da região são certificados. Isto representa quase 50% de toda área produzida. O processo para obtenção das certificações requer qualificação, organização logística e tecnologia.

Todos esses fatores posicionam a região do Cerrado Mineiro como a maior produtora de cafés sustentáveis com origem controlada do mundo. Seus cafés, devido à regularidade na produção, padrões de processos e sabores, colocam o café do Cerrado Mineiro nos blends de café em todo mundo.

 


A Qualidade do Café

O período de colheita do café coincide com o inverno. No cerrado mineiro esta época do ano é extremamente seca, favorecendo ao processo de secagem. Isto impacta na qualidade do produto, conferindo-lhe corpo e aroma marcantes. As características básicas da bebida da região com Denominação de Origem, segundo a Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, são:

  • Aroma intenso, com notas variando entre caramelo e nozes;
  • Acidez delicada, predominantemente cítrica;
  • Corpo variando de mediano a encorpado;
  • Sabor adocicado e achocolatado intenso;
  • Finalização de longa duração.

Vale ressaltar a constante busca dos cafeicultores pela qualidade da bebida, cada vez mais elevada. A Federação dos Cafeicultores do Cerrado promove concursos de qualidade do café. Neste evento, os produtores têm alcançado notas cada vez mais altas na escala da Associação Americana de Cafés Especiais. E, segundo análise do júri, apresentaram uma alta complexidade de aromas e nuances. Nestes eventos, além de valorizar os produtos que se destacam pela qualidade, é viabilizada uma conexão direta entre produtores e compradores. Este contato é de fundamental importância para os produtores de cafés especiais. Assim, estes profissionais podem efetuar vendas diretas, com valores até 40% superiores ao preço das commodities.

Este mercado, cada vez mais promissor, atualmente representa cerca de 12% do mercado internacional da bebida. Conforme informações da Associação Brasileira de Cafés Especiais, os atributos de qualidade dos produtos deste segmento cobrem uma ampla gama de conceitos. As características vão desde físicas, como origens, variedades, cor e tamanho, até preocupações de ordem ambiental e social, como os sistemas de produção e as condições de trabalho da mão de obra cafeeira.

A Participação do Cafeicultor no Processo Produtivo

Devido à obtenção das certificações, o cafeicultor precisa participar de todas as etapas do processo produtivo, a fim de garantir que todas as normas de qualidade estão sendo seguidas. Processo este conhecido como verticalização.

Por outro lado, para se atingir alta performance, há a terceirização de serviços de especialistas. Processo conhecido como horizontalização. Neste contexto, para os cafeicultores daquela região existe uma mesclagem entre horizontalização e verticalização do agronegócio café.

Quer saber mais sobre certificação e exportação de café? Leia nosso artigo que aborda este assunto. Não deixe também de compartilhar suas experiências conosco.